Conflito no Oriente Médio pressiona custos e aumenta risco de endividamento entre produtores rurais


O conflito no Oriente Médio adiciona outra camada de risco ao agronegócio. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, segundo dados da Embrapa. No caso da ureia — insumo nitrogenado usado em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar — a dependência chega a aproximadamente 90% do consumo nacional. O Irã figura entre os maiores produtores globais do produto.

Para Pedro Henrique Oliveira Santos, advogado especialista em dívidas e crédito rural, a crise já chegou ao campo. “O agronegócio brasileiro exporta grande parte da carne bovina, de frango e do milho para países do Oriente Médio e também depende da região para importar insumos. O Irã é um dos maiores produtores de ureia, que é o principal componente dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira”, explica.

O especialista estima alta de 15% a 20% no preço dos fertilizantes em decorrência do conflito. Regiões altamente dependentes do transporte rodoviário, como os polos agrícolas do Centro-Oeste, tendem a sentir o impacto mais rapidamente — municípios como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, e Cascavel, Toledo e Londrina, no Paraná, estão entre os mais expostos.

O aumento de custos ocorre em momento delicado: o crédito rural no país ultrapassou R$ 475 bilhões na safra 2024/2025, segundo o Banco Central, e muitos produtores já estão na fase final de colheita. “Quando o custo de produção aumenta, seja por fertilizantes, diesel ou frete, a margem do produtor rural diminui e a capacidade de pagamento das dívidas fica comprometida”, alerta Santos.

Para enfrentar o cenário, o especialista recomenda atenção à gestão financeira e jurídica: reorganização de passivos, renegociação de financiamentos e alongamento de dívidas podem ser alternativas para preservar a sustentabilidade da atividade.

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